quinta-feira, junho 29, 2006

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES


O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!

Jorge de Lima.

ILUSTRAÇÃO DE GABRIEL FERREIRA PARA O POEMA O ACENDEDOR DE LAMPIÕES DE JORGE DE LIMA. ACRÍLICO S/PAPELÃO PARANÁ. 2005

3 Comments:

Blogger Sublime said...

Adorei o acendedor de lampiões, ele parece um anjo pobre. Adoro gente do povo. Lembra o faroleiro. Também gosto de gente azul. E gosto de você mais do que sei dizer.

terça-feira, julho 11, 2006 12:09:00 PM  
Anonymous Jeciné said...

Gabriel,
Tá muito bonito esse espaço! Parada obrigatória pra quem quizer acender o lampião e seguir bem a caminhada.
Obrigado aê!

domingo, julho 16, 2006 7:13:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

Esse poema é lindo e nos faz refletir sobre muita coisa, principalmente às pessoas que fazem questão de mostrar uma falsa realidade e esquecem se seus lampiões do seu interior estão acessos!! ;)
Um abraço à todos

quarta-feira, julho 22, 2009 11:16:00 AM  

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