Segunda-feira, Maio 04, 2009
Segunda-feira, Março 09, 2009
"Coquetel de abertura da exposição Gabriel Ferreira"
O Pouso da Palavra, situado em Cachoeira, abrirá seu espaço de arte, cultura e comunicação para receber, neste sábado, 14 de março, a partir das 21h, a exposição “Ilustrações para O Amor Natural de Drummond”, do artista baiano Gabriel Ferreira. A mostra tem caráter erótico, entretanto, sem agressão e coberta de uma boa sintonia entre os corpos ali expostos.
O artista plástico informa que características desse novo conjunto de ilustrações são oriundas da “eurótico”, série homônima ao título da obra poética do escritor e professor Patrice de Moraes, que, com os seus versos, despertou em Ferreira um olhar diferenciado a respeito do tema. “Considero ter me voltado para a maturidade artística a partir da sua visão e foi da minha curiosidade em conhecer a obra inspiradora do poeta Patrice de Moraes que partiu a motivação de “reilustrar” alguns dos poemas de O Amor Natural.”, acrescenta Gabriel.
Gabriel Ferreira é artista plástico e artista gráfico, além de músico e graduado em economia pela Uefs. Natural de Tanquinho-Ba, desenha desde os 3 anos de idade, começando suas exposições em 1994 no Tríduo Cultural na própria cidade em que nasceu. Em 2004, ganhou dois prêmios e, em 2007, o Prêmio Juarez Paraíso no 2º Salão Regional de Artes Visuais da Funceb, em Feira de Santana. Suas temáticas são desenvolvidas através de pinturas, desenhos e instalações. Participa de bienais e salões de arte e suas ilustrações já compuseram vários livros, jornais e revistas. Vê na arte uma forma de expressar características que absorveu em sua cidade de origem, muito ligadas à valorização da cultura.
“Ilustrações para O Amor Natural de Drummond” será composta por uma exposição de nove telas que marcam a entrada de Gabriel no Recôncavo Baiano e a abertura dos trabalhos para o ano de 2009. “Com as bênçãos de minhas ‘mulheres’ e a força da poesia que a este dia 14 de março carrega, espero uma noite maravilhosa e um período de exposição bastante produtivo”, conclui o artista.
Essa mostra abrirá um ciclo de várias outras exposições que o Pouso da Palavra pretende agregar com artistas baianos. Portanto não houve data melhor que o 14 de março – já que é o dia nacional da poesia – para a abertura de uma exposição que retrata “O Amor Natural” do grande poeta Carlos Drummond de Andrade.
O QUE: abertura da exposição “Ilustrações para O Amor Natural de Drummond”, de Gabriel Ferreira
QUANDO: dia 14 de março de 2009, a partir das 21h.
LOCAL: Pouso da Palavra – Praça da Aclamação, n° 08. Cachoeira-Ba.
INFORMAÇÕES: (75) 91919772 (Artista) (71) 81909547 (Assessor);
ENTRADA: Franca
Obs.: a exposição se estenderá até o dia 29 de março de 2009.
ASCOM do Pouso da Palavra
Elton Vitor Coutinho
O artista plástico informa que características desse novo conjunto de ilustrações são oriundas da “eurótico”, série homônima ao título da obra poética do escritor e professor Patrice de Moraes, que, com os seus versos, despertou em Ferreira um olhar diferenciado a respeito do tema. “Considero ter me voltado para a maturidade artística a partir da sua visão e foi da minha curiosidade em conhecer a obra inspiradora do poeta Patrice de Moraes que partiu a motivação de “reilustrar” alguns dos poemas de O Amor Natural.”, acrescenta Gabriel.
Gabriel Ferreira é artista plástico e artista gráfico, além de músico e graduado em economia pela Uefs. Natural de Tanquinho-Ba, desenha desde os 3 anos de idade, começando suas exposições em 1994 no Tríduo Cultural na própria cidade em que nasceu. Em 2004, ganhou dois prêmios e, em 2007, o Prêmio Juarez Paraíso no 2º Salão Regional de Artes Visuais da Funceb, em Feira de Santana. Suas temáticas são desenvolvidas através de pinturas, desenhos e instalações. Participa de bienais e salões de arte e suas ilustrações já compuseram vários livros, jornais e revistas. Vê na arte uma forma de expressar características que absorveu em sua cidade de origem, muito ligadas à valorização da cultura.
“Ilustrações para O Amor Natural de Drummond” será composta por uma exposição de nove telas que marcam a entrada de Gabriel no Recôncavo Baiano e a abertura dos trabalhos para o ano de 2009. “Com as bênçãos de minhas ‘mulheres’ e a força da poesia que a este dia 14 de março carrega, espero uma noite maravilhosa e um período de exposição bastante produtivo”, conclui o artista.
Essa mostra abrirá um ciclo de várias outras exposições que o Pouso da Palavra pretende agregar com artistas baianos. Portanto não houve data melhor que o 14 de março – já que é o dia nacional da poesia – para a abertura de uma exposição que retrata “O Amor Natural” do grande poeta Carlos Drummond de Andrade.
O QUE: abertura da exposição “Ilustrações para O Amor Natural de Drummond”, de Gabriel Ferreira
QUANDO: dia 14 de março de 2009, a partir das 21h.
LOCAL: Pouso da Palavra – Praça da Aclamação, n° 08. Cachoeira-Ba.
INFORMAÇÕES: (75) 91919772 (Artista) (71) 81909547 (Assessor);
ENTRADA: Franca
Obs.: a exposição se estenderá até o dia 29 de março de 2009.
ASCOM do Pouso da Palavra
Elton Vitor Coutinho
EXPOSIÇÃO NO POUSO DA PALAVRA

A Exposição ILUSTRAÇÕES PARA O AMOR NATURAL DE DRUMMOND marcará o meu retorno às galerias após um período de tempo longo afastado das mostras individuais. Para além da satisfação de expor no Pouso da Palavra e, do apoio incondicional do poeta Damário Dacruz, celebro minha entrada no Recôncavo com a temática mais expansiva do meu trabalho artístico.
Adentrarei ao “proscénio” com as bênçãos do poeta conjacuipense Patrice de Moraes, o qual me despertou, com a sua poesia erótica, o interesse para me enveredar e colher bons frutos dessa linguagem.
Da iniciativa de ilustrar os seus poemas e, junto a ele promover lançamentos e exposições em conjunto, nasceu a temática “Eurótico”, homônima ao título do seu livro, o qual surgiu (segundo o autor) de uma inspiração arrebatadora após a leitura de O Amor Natural de Carlos Drummond de Andrade. Assim, por curiosidade resolvi emergir também na leitura e, por ousadia decidi ilustrar alguns poemas para compor uma exposição de nove telas bastante sugestivas.
LOCAL: GALERIA DO POUSO (POUSO DA PALAVRA), PRAÇA DA ACLAMAÇÃO, 08, CACHOEIRA-BAHIA
ABERTURA: 14 DE MARÇO DE 2009 ÀS 21h
EXPOSIÇÃO: 14 A 29 DE MARÇO DE 2009.
REALIZAÇÃO: POUSO DA PALAVRA
APOIO CULTURAL: INSTITUTO MARIA QUITÉRIA-IMAQ/PONTO DE CULTURA www.imaq.org.br
Terça-feira, Março 11, 2008
MORTE DO LEITEIRO
"MORTE DO LEITEIRO"DESENHO DE POESIA
AST 2006
Morte do leiteiro
A Cyro Novaes
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
PROCRASTINAÇÃO
DESENHO DE POESIA - INSPIRADA EM CONTO DE NÍVIA MARIA VASCONCELOS
ACRÍLICO/TELA DE GAZE (50x50)cm
2006
Ao tempo e o seu desperdício
O dia amanheceu escuro... olhos soltos diante da paisagem, vazio, mansidão. Transcorrer de segundos que são horas... e a menina, dona de um olhar diverso, transmitia transtorno, desprezo, solidão. Estava lá, à janela, anterior à vida que corria em dissonância com os seus desejos. Era toda abandono... ali... abandono e desassossego. Escolhera esse lugar, fazia-se ali protegida e observadora de tudo... deixava-se. Transcorrer de minutos que são dias... e a menina, à janela, contemplando a vida da qual desejava fazer parte... diluía-se e permanecia ... querer não é suficiente... e seu olhar, enigmático e distante, transmitia um não sei o quê que ninguém percebia. Para ela, o dia sempre amanhecia escuro. Transcorrer de dias que são meses... perdição e desacordo.
CONFLITO
DESENHO DE POESIA-INSPIRADO EM CONTO* DE NÍVIA MARIA VASCONCELLOS ACRÍLICO/TELA DE GAZE
(50x50)cm
2006
*TAMBÉM É COMPOSIÇÃO MUSICAL DE NÍVIA MARIA E PAULO AKENATON
Diante do horizonte, tudo perde a razão. Todo olhar parece insuficiente para alcançar tudo o que pode ser conquistado, e, como um obstáculo, um limite se impõe a cada passo. Braços parcos, finitos para tamanha grandiosidade. O rapaz, à janela, morre... prenhe de sonhos incompletos... Tudo o que é vivo não dura o bastante para ser eterno.
Segunda-feira, Abril 02, 2007
Segunda-feira, Novembro 27, 2006
A POÉTICA DO GINGADO



Para Bel, o capoeira da minha ficção.
a roda
pernas cortavam a dança alucinada dos capoeiras
tudo era força
agilidade dos olhos que pulavam
braços e cabelos que não respeitavam
a gravidade imposta aos humanos
eram negros fortes negros brancos capoeiras!
os homens
homens de todos os dias
operários trabalhadores construtores
de máquinas, imagens e martelos
com seus punhos unidos
ajoelhados pelo ritual
cruzam olhares vibrando palmas
cores amarradas pela cintura
gestos que desafiam o abismo
e todas as almas sentem o canto de pedra do berimbau
a dança
gingavam de todos os lados
ritmos e cores abraçavam-se no espaço
passos, compassos e um corpo no chão
o capoeira pula sobre todas as cabeças
e recomeça o gingado malandro
de outro canto da capoeira
Cleberton Santos.
ILUSTRAÇÕES DE GABRIEL FERREIRA PARA O LIVRO ESBOÇOS. NANQUIM SOBRE PAPEL CARTÃO. 2006.
CAPOEIRAGEM

Era o capoeira, então, um elemento das ruas, pois nela estava o seu sustento e o seu lazer. Era um personagem do cotidiano urbano que tinha que respeitar as regras do mundo que o subordinava e lhe era subordinado, o mundo das ruas. O tipo social de rua, ao qual pertencia o capoeira até meados do século XX, na capital baiana, não só seguia as regras de sobrevivências desse mundo indisciplinado, mas também as determinavam.
OLIVEIRA, Josivaldo Pires de. De capadócios das ruas a agentes culturais: um ensaio de história social sobre os capoeiras na Bahia (1912-1937). Monografia premiada no Concurso Silvio Romero. Rio de Janeiro: CNFCP/Ministério da Cultura, 2004.
OLIVEIRA, Josivaldo Pires de. De capadócios das ruas a agentes culturais: um ensaio de história social sobre os capoeiras na Bahia (1912-1937). Monografia premiada no Concurso Silvio Romero. Rio de Janeiro: CNFCP/Ministério da Cultura, 2004.
TELA: NOVOS SERTÕES - A RODA. ACRÍLICO SOBRE TELA. CAPOEIRAGEM 2006. GABRIEL FERREIRA
Sexta-feira, Outubro 27, 2006
CANÇÃO DAS PROSTITUTAS
Cansadas de sofrer, as dolorosas
se embriagam de sonho, amando as rosas
e amando os lírios em ideais noivados.
SOSÍGENES COSTA
Estilhaços de azul emolduram o poente.
As prostitutas de Sosígenes, encantadoras serpentes,
silenciam no cais dores ausentes.
Vestidos vermelhos amarelados,
em tons furtivos de saudades,
bailam com seus fantasmas na brisa
(volúpia sonora do orgasmo marítimo)
desta tarde longínqua
reverberada em sonetos
naufragados.
Cleberton Santos
ILUSTRAÇÃO PARA O POEMA CANÇÃO DAS PROSTITUTAS DE CLEBERTON SANTOS. ACRÍLICO SOBRE TELA. GABRIEL FERREIRA. 2006.
Terça-feira, Outubro 03, 2006
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
Segunda-feira, Setembro 18, 2006
RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
ão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
"RETRATO". ILUSTRAÇÃO PARA O POEMA DE CECÍLIA MEIRELES. ACRÍLICO SOBRE TELA. 2006. GABRIEL FERREIRA
TODO CARNAVAL TEM SEU FIM

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
De que o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo...
Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
É o fim, é o fim
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz
ILUSTRAÇÃO PARA A CANÇÃO TODO CARNAVAL TEM SEU FIM DE MARCELO CAMELO. ACRÍLICO SOBRE TELA. 2006. GABRIEL FERREIRA
Terça-feira, Agosto 29, 2006
BUMBA-BOI

Esta é uma homenagem ao bumba-meu-boi da localidade Bebedouro de Tanquinho-BA, que, na minha infância, desenhou uma das alegorias que mais me encheu os olhos.
Salve o Bumba-Meu-Boi do Bebedouro, vida longa aos seus mantedores.
Vem aí o Tríduo Cultural de Tanquinho 2006!!!
BUMBA-BOI DO BEBEDOURO DE TANQUINHO. ACRÍLICO SOBRE TELA. (90X90)cm. AGOSTO DE 2006. GABRIEL FERREIRA
PARTICIPOU DA EXPOSIÇÃO COLETIVA NO CUCA NO MÊS DO FOLCLORE.
Sexta-feira, Agosto 18, 2006
BALADA PARA HILDA

a Nívia Maria Vasconcellos, minha irmã.
( É semelhante à brisa que só nos deixa o frio
deste quase não pressenti-la,
o nosso olhar que se perdeu no tempo,
sem nada haver além de sombra e sobras...
porque nos era só desejo e vazio
os dias de solidão
e inquietude,
os quais só nos deixaram os olhos
e aquilo que prometiam.
( Mas
do amor antigo que vivemos
somos apenas a lembrança viva do inevitável destino
e a amargura inconsolável de quem,
por toda a vida,
esperou pelas coisas que se mostram sempre as mesmas,
como quem contempla a última hora,
ante a dor intensa de quem só obteve,
da Eternidade,
o silêncio, o espanto
e a imóvel presença. )
Aracy – Feira de Santana, maio/junho de 2004.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.
Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
BALADA PARA CECÍLIA

à Danielle Pinheiro
Convém-nos que esta noite seja clara
ou simplesmente a última, sabendo
que todo o mundo dorme e as nossas almas
são uma chaga a mais que o mundo abriu...
Convém-nos que esta noite seja pura
como as pedras e os ventos, tão contrários,
mas tão repletos desta mesma essência,
e tão suaves como estes silêncios...
E enfim, toda esta noite seja breve
como o instante em que, mortos, renascemos
para todas as coisas que buscávamos:
as nossas mãos sem rumo e sem mistérios...
nossos espelhos sem nenhuma face...
nossa boca calada com um beijo.
Candeias, na manhã de São João de 2004.
Convém-nos que esta noite seja clara
ou simplesmente a última, sabendo
que todo o mundo dorme e as nossas almas
são uma chaga a mais que o mundo abriu...
Convém-nos que esta noite seja pura
como as pedras e os ventos, tão contrários,
mas tão repletos desta mesma essência,
e tão suaves como estes silêncios...
E enfim, toda esta noite seja breve
como o instante em que, mortos, renascemos
para todas as coisas que buscávamos:
as nossas mãos sem rumo e sem mistérios...
nossos espelhos sem nenhuma face...
nossa boca calada com um beijo.
Candeias, na manhã de São João de 2004.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.
Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
BALADA PARA ENONE

a Godofredo Filho, em seu 1º centenário.
Quero fugir e não posso.
Quero correr e me sinto
colado no chão da esquina.
Se a noite ao menos pudesse
fazer com que me esquecesse
da fria luz que, no quarto,
sobre o teu corpo morria...
GODOFREDO FILHO
O Amor com que nasci trouxe-me todo encanto
com o qual adormeci para esta triste sorte...
E Eu despertei tão calmo e a desejar a morte,
mas eis-me aqui, na fria jaula deste pranto.
Daí, Eu me inclinei neste meu chão: tão frio,
tão só, tão nulo – sombra de meu sonho amargo –
a aceitar a estranha vontade deste encargo
de estar aqui e, por vontade, ser vazio.
E era teu rosto, sim, que, em meio à sombra e o vento
– pois, por amor, sou deste chão e deste momento –,
o amor eternizou na angústia do teu beijo.
Mas este amor me faz ficar aqui, tristonho,
seguindo esta saudade que me corta o sonho
e Eu permaneço ainda à porta do teu desejo.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.
Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
APORTES DA SERRA DE TANQUINHO (fragmento)

ao Senhor Abílio Santa Fé Aquino; aos seus filhos, aos seus netos...
à memória do Monsenhor José Trabuco
... a subida da serra é um plágio da vida...
EURÍCO ALVES BOAVENTURA
Mas o velho Carango
não nos transmitia isso. Ele, que talvez não
dormira nunca, era agora
parte da estrada que nos parecia como
uma cobra a cortar de terra aquela caatinga
tão efemeramente viva e
cujo rastro ficava por conta das rodas
movidas pelo Burro, que, a passadas lentas,
imitava a teimosa vivência daquele verde Agreste, acentuando-se
a nossa volta e em nossas recordações.
Aquele homem, tão rude
e místico
como os lajedos
trazia uma simplicidade meiga, e acentuadamente
calma, naquele rosto que o tempo feriu
com a velhice e com a tristeza;
era a face e quem se envolveu de amor; com
a mesma crueldade com a qual o amor
envolve tudo.
Entendemos agora sua doce maldade ao permitir
nossa subida àquela carroça, para junto a ele
somarmos com as vidas
( tão diferentes, cada uma em seu extremo )
as migalhas de tempo que sumiam
como a paisagem
e cuja existência se resume a lembrança
das crianças que fomos
e trazemos à tona de nossa vida de homens adultos. Era
para não nos perdermos, não nos esquecermos
nas fotos,
nas gavetas, nas casas que fomos nós, em
nós mesmos. Dentro de nós, perdidos, estão, em algum tempo,
as vidas que, um dia, fomos nós;
muito mais mortos
do que o velho Carango e seu Burro.
Ah, como éramos vivos
quando a vida nos era mistério... E agora,
mortos,
sentimos o qual é vazia a
sabedoriados que cresceram.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
A ETERNA IMANÊNCIA

a Idimar Boaventura,
depois de uma conversa sobre assuntos urbanos.
ao amigo e inigualável artista plástico Gabriel Ferreira
que, como Eu, traz grandes lembranças de um certo ‘João do Sonho’.
ao meu primo: Zé de ‘João do Sonho’.
– Cada um de nós tem seu bocado de saudade
preso a uma cidadezinha,
pequena e simples como uma flor,
como nosso primeiro desejo,...
sim, uma cidade toda feita de saudades,
uma cidade onde a madrugada brinca nos olhos da vida
que mais cedo recomeça
e Eu posso dizer-te que a minha
pequena cidade é esta sólida imagem que há muito
abandonou-me os sonhos
e se refugiou em algum canto escuro de minha memória,
escondendo-se e renascendo em mim
para que sejam minhas estas lembranças,
ou estes pedaços de lembranças,
espatifados sobre este homem duro que me tornei;
é esta a minha cidade toda imaginação,
esta cidade que foi real aos meus olhos,
e à minha infância:
nela, a vida vinha aos bocados
no lombo surrado dos jumentos dos aguadeiros,
um pouco na pracinha – iluminada – da igreja velha,
onde, contrariando minha fé e arrastado pelos meus desejos,
conheci meu primeiro amor e meu primeiro pecado,
e as noites traziam um pouco mais da Eternidade
quando mais alguém se juntava à roda das piculas
e o meu avô espalhava lembranças
pela aguda fumaça do cigarro de palha
enquanto meu tio
( literalmente )
vendia sonhos.
Mas hoje estou sob as cinzas destes sonhos mortos
e antigos, entoando esta plácida canção nostálgica,
e sinto sobre os ossos
a permanência indesejável do homem urbano,
do homem frio, do homem falso, do homem em ruínas
esculpido sobre meu corpo,
sobre minha alma,
sobre o que fui...
e não sei se sou Eu que sonho estas possibilidades de sonho,
esta idéia de que um sonho possa ressuscitar,
que Eu também possa reviver nesta tentativa...
Não! Não sei se sou Eu que realmente ali vivi
( ou, talvez, realmente, exista em cada um de nós
uma cidadezinha espalhando sonhos,
semeando estas lembranças que são tão boas
e tão tristes ), não sei...
não sei se são mesmo minhas estas
estas saudades ...
estas lembranças
que se perderam em meus olhos estranhos,
em meus olhos de asfalto
e vidro
e concreto
e aço...
e sei que só sinto a vida
como um trabalho vão,
um esforço devolvido
qual Sísifo num refazer constante
e,
sobretudo,
inútil.
Hoje,
estou velho e já não há cidadezinha, não há lembranças,
nem Eu...
hoje,
espero apenas poder aceitar a Morte,
mesmo sem nunca ao menos ter aceitadoa vida.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.
Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
VIAGEM...

Viação Santana, às 18:30h de toda quarta-feira
de Aracy para Feira de Santana.
para Milvia Cerqueira e Sérgio Magno,
que me embalam as lembranças com sua música.
) Longe de minha casa
ou de qualquer milagre,
sigo completo
entre a noite
e a janela do ônibus...
Sorvendo da noite
a vida que adormece;
olhos quietos; mas,
à beira dos meus olhos,
o acaso se derrama.
( O tempo completa um ciclo...
a vida se fecha em círculos. )
Eu, entretanto,
passo,...
pelas minhas mãos,
na curva dos caminhos sem retorno,
sorrindo para a Morte
e seus segredos. (
Candeias, domingo de Páscoa de 2005.
de Aracy para Feira de Santana.
para Milvia Cerqueira e Sérgio Magno,
que me embalam as lembranças com sua música.
) Longe de minha casa
ou de qualquer milagre,
sigo completo
entre a noite
e a janela do ônibus...
Sorvendo da noite
a vida que adormece;
olhos quietos; mas,
à beira dos meus olhos,
o acaso se derrama.
( O tempo completa um ciclo...
a vida se fecha em círculos. )
Eu, entretanto,
passo,...
pelas minhas mãos,
na curva dos caminhos sem retorno,
sorrindo para a Morte
e seus segredos. (
Candeias, domingo de Páscoa de 2005.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.
Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
Sexta-feira, Julho 28, 2006
RENOVAÇÃO

Num leve movimento de descida,
que a vingança encontre a minha carne,
que a tua mão firme e sensata segure
o demente punhal que em meu ventre arde.
Nesta tarde, repousa teu cansaço
que não mereço este amor e cuidado
(a que a tua vida se devota e te consome).
Como se nunca me tivesses amado,
mata-me breve, para tua sorte
ou como se ainda me amasses tanto
que a tua única liberdade fosse minha morte.
Nívia Maria Vasconcellos
TELA: "...PARA NÃO SUICIDAR". acrílico sobre gaze colada em papelão de sapateiro. 2006. Gabriel Ferreira
CAPA DO LIVRO DE NÍVIA MARIA VASCONCELLOS
RODA DE CHORÕES

RODA DE CHORÕES - AST - 2005 - GABRIEL FERREIRA
AOS MÚSICOS CHORADORES DO BAR ENCONTRO DOS AMIGOS (BAIRRO DOS CAPUCHINHOS EM FEIRA DE SANTANA-BA), ONDE, POR ALGUMAS VEZES TIVE A OPORTUNIDADE DE ACOMPANHÁ-LOS A LEVES "TAPAS" NO PANDEIRO E CERVEJA GELADA.
Soneto de Carnaval
Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento
Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrando uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.
E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim
De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
Vinicius de Moraes
Segunda-feira, Julho 10, 2006
PAUSA PARA UM BEIJO

PAUSA PARA UM BEIJO
!
Pausa... para um beijo.
Moléculas musicais –
como a explicação para as sabidas coisas que não se vêem –
aqueceram além da decisão científica.
Ninguém pediu para que eu beijasse.
Embora, eu tenha beijado, ainda assim.
O beijo se recusou culpado,
ferido de outro beijo,
e um terceiro beijo desejou se permitir.
Você é bonita como a quebra de ritmo.
Como a cadência cuja melodia é a sensação apenas.
Vi, feio, o que me completa:
um beijo acusa o desejo (que quando espírito é supremo)
e, tão exato,
perde o álibi.
Este poema não beija nada
além do pensamento.
Não anseia mais nada além de lembranças.
Pois que o beijo se eternizou antes de definhar.
E tudo, agora, é pretensão.
Desejei o beijo antes da alegria.
Não inferia o que só agora sei:
o beijo é um vazio nos poetas férteis.
TELA: "PAUSA PARA UM BEIJO". AST. VÉSPERA DE SÃO JOÃO/2006 - GABRIEL FERREIRA
Quinta-feira, Junho 29, 2006
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!
Jorge de Lima.
ILUSTRAÇÃO DE GABRIEL FERREIRA PARA O POEMA O ACENDEDOR DE LAMPIÕES DE JORGE DE LIMA. ACRÍLICO S/PAPELÃO PARANÁ. 2005
MAÇÃ

MAÇÃ
Por um lado te vejo como um seio murcho
Pelo outro como um ventre cujo umbigo pende ainda o cordão placentário
És vermelha como o amor divino
Dentro de ti em pequenas pevides
Palpita a vida prodigiosa
Infinitamente
E quedas tão simples
Ao lado de um talher
Num quarto pobre de hotel.
Manuel Bandeira.
ILUSTRAÇÃO DE GABRIEL FERREIRA PARA O POEMA MAÇÃ DE MANUEL BANDEIRA. ACRÍLICO S/PAPELÃO PARANÁ. 2005
OS GATOS

OS GATOS
Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.
Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.
Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;
Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.
Charles Baudelaire
Tradução de Ivan Junqueira
ILUSTRAÇÃO DE GABRIEL FERREIRA PARA O POEMA OS GATOS DE CHARLES BAUDELAIRE. ACRÍLICO S/PAPELÃO PARANÁ. 2005



























