BALADA PARA ENONE

a Godofredo Filho, em seu 1º centenário.
Quero fugir e não posso.
Quero correr e me sinto
colado no chão da esquina.
Se a noite ao menos pudesse
fazer com que me esquecesse
da fria luz que, no quarto,
sobre o teu corpo morria...
GODOFREDO FILHO
O Amor com que nasci trouxe-me todo encanto
com o qual adormeci para esta triste sorte...
E Eu despertei tão calmo e a desejar a morte,
mas eis-me aqui, na fria jaula deste pranto.
Daí, Eu me inclinei neste meu chão: tão frio,
tão só, tão nulo – sombra de meu sonho amargo –
a aceitar a estranha vontade deste encargo
de estar aqui e, por vontade, ser vazio.
E era teu rosto, sim, que, em meio à sombra e o vento
– pois, por amor, sou deste chão e deste momento –,
o amor eternizou na angústia do teu beijo.
Mas este amor me faz ficar aqui, tristonho,
seguindo esta saudade que me corta o sonho
e Eu permaneço ainda à porta do teu desejo.
Do livro Baladas e outros aportes de viagem de Silvério Duque.
Ilutração de Gabriel Ferreira. Acrílico e carvão sobre papelão paraná. (80x99) cm. 2006
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